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Portal Executivos Financeiros – Dezembro, 2013

Pequenos e grandes varejistas demoram a adotar novas soluções

Um dos maiores segmentos brasileiros, o segmento do varejo  às vezes falha no quesito tecnologia. Soluções em nuvem e de mobilidade parecem estar longe da realidade dos varejos brasileiros, até mesmo alguns que estão na web. Para participantes do mercado de TI, essa falta começa na educação, que cria a primeira barreira na hora da adoção de soluções tecnológicas. “A falta de conhecimento [sobre tecnologia] dos varejistas é o primeiro desafio a se transpor. Muitos pequenos varejistas são analfabetos na área de tecnologia”, diz Paulo César Costa, CEO da PH3A, empresa de soluções integradas para e-commerce.

Alguns empresários, principalmente do pequeno varejo, diz Costa, acabam “se perdendo no dia-a-dia”. “As pequenas empresas viram familiares, o dono trabalha no caixa. Ele acaba virando funcionário da empresa e não consegue vê-la de fora e pensar nas inovações necessárias para o seu negócio”, comenta Costa. Na opinião de Daniel Domenenghetti, CEO da DOM Strategy, a falta de tecnologia no varejo é algo a se questionar, uma vez que é um setor muito grande para ter tanta falta na hora da gestão de tecnologia.

A falta da educação não é a única barreira. Segundo o vice-presidente da América Latina da Axway, Randi di Prima, as baixas margens de lucro do segmento podem explicar a falta de investimento em tecnologia. “É muito difícil vender soluções de tecnologia para varejistas. Eles costumam pedir mais informações, não podem investir por investir porque, simplesmente, não podem perder dinheiro”, diz di Prima.

Costa analisa que essa afirmação de di Prima é fato apenas para alguns setores. “Segmentos como o de moda, cosméticos e alimentício possuem boas margens. No de roupas, a margem chega a 300%, não tem como dizer que ela é baixa, não é?”, afirma o executivo. Para ele, a falta de conhecimento misturada do conservadorismo dos empresários do setor é uma das principais explicações para o gap tecnológico do segmento.

A falta de tecnologia e de inovação na maioria do setor do varejo não é apenas nacional. Di Prima conta que nos Estados Unidos acontecem coisas parecidas, inclusive em grandes varejistas. A Axway de Di Prima, por exemplo, fechou um contrato esse ano para fornecer uma solução que possibilita a rede Best Buy descobrir quando o cliente busca o preço de alguma mercadoria  . “Eles já perderam muitos clientes com isso nos últimos anos, mas só resolveram fazer algo agora”, aponta Di Prima.

Às vezes até mesmo para entrar no e-commerce acontecem alguns “erros de percurso”. Segundo Costa, muitos varejos brasileiros acreditam que entrar no e-commerce é apenas ter um site com seus produtos, o que é o mínimo. Existe um tipo de inteligência própria para o e-commerce que não são apenas o site. Para Costa, o problema está no “falso orgulho” de alguns empresários, que acabam não procurando especialistas no assunto e ajudam a sensação de amadorismo quando se trata do setor. “O mercado [de varejo] brasileiro precisa se profissionalizar”, sentencia Costa.

O interessante da discussão sobre o varejo, dizem di Prima e Costa, é que, ao mesmo tempo em que o setor como um todo demora a adotar tecnologia, aqueles poucos que adotaram foram incrivelmente inovadores. Di Prima cita o exemplo da Amazon, gigante norte-americana que começou como uma loja virtual de livros. “E que agora pensa em usar drones para fazer as entregas”, diz di Prima. Costa lembra da brasileira Nova.com. “Se você ver no site do Extra hoje em dia, encontrará lá determinados produtos que não são do Extra e nem que o Extra entrega, são parceiros. A Nova.com é uma as empresas que mais crescem no mercado brasileiro”, diz Costa.

No ranking de geração de valor feito pela DOM Strategy, as empresas de varejo que tiveram as melhores notas. Em primeiro lugar do setor de varejo e super mercados ficou o Grupo Pão de Açúcar com nota e 8,08. No segmento “varejo geral”, a eletrônica Netshoes teve destaque, mostrando que, assim como Costa afirma, o caminho da internet é sem volta para as empresas varejistas.

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