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Ecomagination, Janeiro, 2012

A influência das ações sustentáveis no desempenho na bolsa avança, ainda que a passos lentos.

(c) Imagem: Divulgação

Enquanto as bolsas se movimentam em torno de novos fundos e índices relacionados à sustentabilidade, as empresas se vêem diante de uma nova questão: as ações sustentáveis levam, de fato, a um desempenho diferenciado na bolsa? Para Daniel Domeneguetti, sócio do Grupo ECC, CEO da DOM Strategy Partners e co-autor do livro “Ativos Intangíveis, o Real Valor das Empresas” (Campus Elsevier), esse impacto ainda é pequeno, mas o avanço da economia verde é irreversível.

Como funciona hoje o atrelamento de ações sustentáveis a ações da bolsa?
A “cola” disso é o conceito de que sustentabilidade é um ativo – de ordem intangível, como marca, inovação, conhecimento. O raciocínio que está por trás disso é: se é um ativo, tem valor. Se tem valor, tem que ser medido. Porém, mensurar o intangível sempre é muito difícil. O que o mercado de capitais e, portanto, as bolsas fazem é pegar as empresas que teoricamente mais investem em sustentabilidade – aquelas que seguem réguas internacionais do tipo Global Reporting Initiative (GRI) e têm investimentos estruturados em sustentabilidade – para formar índices paralelos com as ações dessas empresas, desde que elas sejam de capital aberto. Tudo isso só tem sentido se a gente acreditar que uma empresa sustentável vale mais do que uma empresa não sustentável.

A criação desses fundos e índices é o reflexo de uma mudança no mercado ou funciona como uma tentativa de dar um impulso?
Na verdade, deveria ser a formalização de algo que já é valorizado. O preço de uma ação tem o componente tangível – seus resultados, produção, capital – e o intangível. Para setores como infraestrutura, como siderurgia, a parte tangível geralmente é maior. Para um setor de moda, de internet, é o contrário. O problema é que o ativo intangível é fruto de percepção. Você, consumidor, acha que aquela marca vale ou não. É da guerra das percepções que se forma o preço instantaneamente. A sustentabilidade é um ativo que, como é intangível, quando bem orquestrado, melhora a reputação, se encaixa em uma boa governança e provavelmente aumenta o valor da empresa.

Pode também virar um tiro no pé?
Pode, como ocorreu com a Chevron. Um ativo intangível que gerou um ativo tangível. Se não cuidar bem do ativo que está gerenciando, o valor da ação paga o preço. Tem que gerir bem sua marca, sua inovação, seu relacionamento com os clientes, seus talentos, sua sustentabilidade, sua governança. Senão, o fruto das percepções diminui o valor da empresa.

Como avalia o movimento nas bolsas, no sentido de valorizar essas ações, que são de longo prazo?
A gente percebe, de maneira geral – até por conta das crises e da maturidade que o mercado está atingindo –, que o investidor também está se aculturando para não olhar resultado só de curto prazo e tentar entender que ativos intangíveis garantem o valor a longo prazo. A sustentabilidade entra nessa equação. Além disso, ela não pode ser vista de forma isolada dos outros intangíveis.

Hoje, as ações das empresas sustentáveis têm, de fato, tido desempenho diferenciado na bolsa?
Ainda estamos falando de uma parcela muito pequena de pessoas que se mobilizam para investir por uma questão de sustentabilidade. Por mais que tenha impacto, é pequeno. Mas indiscutivelmente a tendência é crescer.

Em que estágio estamos hoje?
Qual é o ator que dá grandiosidade ao tema e que ainda não entrou no jogo? O consumidor. A hora que o consumidor passar a considerar isso no seu processo de escolha, premiando e punindo empresas, aí veremos as coisas mudarem nas bolsas. Isso acontece bem aos poucos. E, em um país como o Brasil, onde as classes C e D estão consumindo pela primeira vez, isso não é prioridade. Mas é um processo evolutivo. Por isso, a questão da educação para o consumo se torna importante.

Em que setores essa mudança está mais avançada?
Por incrível que pareça, os setores mais avançados são os mais distantes do consumidor, como o de infraestrutura, indústria farmacêutica e química, que estão sempre sujeito a punições mais fortes.

Essa tendência vai chegar aos outros setores?
Claro que vai. É irreversível. À medida que o mercado vai se sofisticando, as empresas de serviço vão chegar lá. Mas está começando pela indústria de base por uma questão de compliance.

 

Fonte: Ecomagination

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