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A vida se traduz em ciclos de alternância de polaridades. A história está aí para mostrar que impérios se erigem e sucumbem, movimentos sociais declinam e emergem. Que o mal substitui o bem que o precedeu e que o sucederá recorrentemente. Que a vida nasce, morre e renasce em gerações, perpetuamente.

Trazendo este raciocínio universal para a perspectiva limitada aos negócios, a renovação desencadeada pela Geração Y parte da premissa que as ações que trouxeram resultados com maior freqüência e intensidade na geração passada tendem a não ter a mesma perspectiva de sucesso, pois o contexto de sua aplicação muda, mudou e continuará a mudar em uma recorrência cada vez mais acentuada. Em outras palavras, a entrada de novas gerações no mundo dos negócios trará, naturalmente, a renovação de crenças, valores e premissas tomadas como verdadeiras em decorrência do processo constante de experimentação.
Conforme talentos e colaboradores diferenciados performam trajetórias meteóricas de ascensão profissional, as crenças e valores que residem na essência do mindset de estratégia e gestão das empresas de hoje são diretamente confrontadas por novos pontos de vistas. Ao contrário de uma revolução à força, que gera desgaste e atrito, a evolução deste mesmo mindset ocorrerá de forma natural e fluida, por substituição dos profissionais inaptos a compreender os desafios e oportunidades por aqueles que nasceram, cresceram e aprenderam a lidar, com espontaneidade, com o novo contexto, sob novos conceitos.

Novos conceitos como a compreensão da dinâmica dos relacionamentos humanos e, por paralelismo, corporativos, de forma sistêmica e em perspectiva de redes, que derivam claramente da evolução e disseminação da Internet e de suas comunidades temáticas e de relacionamento. Se uma empresa é um conjunto de colaboradores com um objetivo comum, da mesma forma é uma rede, porém com características que potencializam e aprofundam o alcance de tais objetivos – uma vez que a crença de seus participantes tende a ser genuína por emanar de contextos abertos que fomentam a auto-identificação, o senso de pertencimento e incentivam a proatividade.

No contexto das redes, cada profissional escolhe quais os líderes e expoentes irão seguir e se conectar nos temas de seu interesse. E considerando a tendência de descentralização do capital e sua conseqüente disseminação através das redes, desenvolver novos modelos de negócio vencedores – que irão irrigar e drenar o que cada rede tem de melhor – é o grande desafio que os participantes desta nova economia enfrentarão com cada vez mais intensidade.

A grande diferença é que a nova geração, a Geração Y, tem mais chances de ter em seu poder as respostas para estas novas e intrigantes questões. Porém, engana-se quem pensa que a Geração Y só prosperará em função de seu domínio dos meios, canais, ambientes e veículos digitais, instantâneos, interativos e interconectados. A nova geração traz, em sua personalidade, virtudes que se expressam em modelos de atuação e tomada de decisão, como os que integram os pilares econômico, social e ambiental e a visão 360º dos diversos stakeholders e seus pontos de vista envolvidos em determinada situação. Adicionalmente, novas propostas, objetivos e missões – hoje alocadas no cluster de metas impossíveis, utópicas ou loucas – que empresas e indivíduos passarão cada vez mais a se comprometer e se responsabilizar, fogem do horizonte de visão e da compreensão de “onde” é possível se chegar (lembrando que o lema “shoot on the moon” se mantém em aplicação).

Imagine o seguinte cenário: em 10 anos, 2020, quando a grande maioria da mão-de-obra será formada por profissionais de perfil Y, provavelmente não teremos a mesma necessidade (ou possibilidade) de estar diariamente em um mesmo local, no mesmo período. A flexibilidade trazida pela comunicação e presença anywhere vai romper definitivamente com o conceito de espaço e tempo: o tempo será o sempre e o espaço qualquer um, desde que seja possível se conectar com os demais.

Mas a essência deste cenário futuro não é tecnológica, mas sim humana, e exigirá novos formatos de relacionamento pautados em graus elevados de credibilidade e reputação, para só assim reduzir a demanda pelo contato pessoal (quem sabe até o antigo termo “fio de bigode”, utilizado para tratar da idoneidade e da firmeza da palavra dos negociantes, volte à moda). Para uma geração que aprendeu a se socializar de forma remota, isto não parece ser um problema, em tese. Mas pode ser…

Por estas e outras questões, a revolução nos negócios que a Geração Y trará é daquelas que faz os inaptos (independente de idade e geração) se sentirem velhos e os destinados entusiasmados com os desafios a serem superados. O que não é nenhuma novidade. É a vida.

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