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Idéia Sustentável, Setembro, 2010

Ultimamente, a sustentabilidade corporativa passou a ser mais que um conceito importante. De fato, tornou-se um vetor determinante no sucesso das empresas, seja por estimular sua capacidade de interagir com stakeholders, gerando ganhos para ambas as partes, ou por sua preponderância na construção de reputação e credibilidade a partir de questões como transparência, ética, cidadania corporativa e responsabilidade social empresarial. Portanto, o conceito de sustentabilidade corporativa, embasado no chamado “triple bottom line” (ou tripé do resultado econômico-financeiro x social x ambiental) é cada vez mais valorizado por acionistas e clientes, tornando-se um imperativo para o sucesso das corporações.

Antes de tudo, a sustentabilidade corporativa se refere a uma postura, uma forma de conduzir as atividades empresariais. Ser, pensar, decidir e agir de forma sustentável requer um processo de entendimento, negociação e integração construtiva entre todos os agentes de relacionamento de uma empresa ao olhar os princípios e valores da própria organização e de sua ética. A forma como a corporação se relaciona com acionistas, clientes, sociedade, fornecedores, Estado, meio ambiente e funcionários deve refletir esses valores e postura ética, além de ser questionada e medida sistematicamente, uma vez que todos esses stakeholders são corresponsáveis pelo crescimento sustentado e equilibrado do todo.

Mas, tratando-se de tendências corporativas, há quem não goste do modismo do tema. E com razão.

O americano Milton Friedman, um dos economistas mais renomados do século XX, influente teórico do liberalismo econômico, conselheiro de Nixon, Ford e Reagan, era um crítico da ideia de responsabilidade social nas empresas. Prêmio Nobel de Economia, em 1976, por suas realizações nos campos da análise do consumo, teoria e demonstração da complexidade da política de estabilização, Friedman defendia que “a empresa pertence aos acionistas. Sua missão é gerar a maior quantidade possível de lucros para eles, respeitando as leis de cada país”. Para ele, o conceito de responsabilidade social era ”fundamentalmente subversivo”

O fato é que por muitos anos esse tipo de mentalidade influenciou a visão das empresas americanas. Apenas recentemente, com exemplos vindos dos mais diversos países, empresas e terceiro setor, é que a maioria das corporações dos Estados Unidos começou a perceber que as regras do jogo mudaram. Caso não incorporassem práticas de sustentabilidade, seriam boicotadas e preteridas pelos consumidores globais, com poder e atuação em rede, fora as possíveis liabilities a que seriam submetidas, principalmente no campo ambiental e social.

De certa forma, é difícil discordar integralmente de Friedman. De certo, as companhias têm como premissa primeira atingir sua missão, gerando o máximo lucro possível aos acionistas. Ou seja, a missão da empresa vem em primeiro lugar e é seu norte principal.

Portanto, pensar no lucro é premissa de existência, mas não sua finalidade única. O lucro empresarial é imperativo e deve ser exigido (como forma de mensuração de seu direito de existir como agente econômico de transformação); porém, deve ser entendido como meio, energia e combustível que permita à corporação atingir seus objetivos.

Para tal, a organização está sujeita a “condicionantes-meio” fundamentais, como respeito às leis e regulamentações de cada país, desenvolvimento da sociedade e preservação do meio ambiente. Ou seja, a sustentabilidade é meio – e não fim – para as empresas. Particularmente, evitar a extinção dos ursos panda ou ajudar os necessitados do Haiti é prerrogativa primeira de organizações construídas com tal missão, ou seja, ONGs ou órgãos dos governos e mesmo empresas, mas a partir de seus institutos, fundações filantrópicas e assistencialistas…o que difere radicalmente em conceito e convocatória do tema sustentabilidade.

Se até algum tempo atrás a relação do consumidor com as empresas se estabelecia basicamente em torno do produto/serviço fornecido, hoje a sociedade, representada por suas ONGs, órgãos governamentais, imprensa e pela própria figura do indivíduo-cidadão (como eleitor, consumidor e acionista/investidor) passa a exigir, principalmente das empresas de capital aberto, a adoção de práticas de transparência nos seus processos de governança corporativa e distribuição de riquezas, obrigando-as a mostrar que estão devolvendo à sociedade (em diferentes formas) os recursos que utilizam para produzir essa riqueza. Mais que intenção, sustentabilidade é resultado aparente e transparente.

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