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Falar das principais inovações no mundo dos negócios ocorridas nos últimos 10 anos e priorizar quais delas foram mais relevantes que outras não são tarefas simples. Ainda mais considerando que a noção de tempo e de espaço mudou completamente desde então (culpa da velocidade e proximidade que as tecnologias nos trouxeram) e que o volume de conhecimento e inovação produzidos ultrapassaram, em larga escala, a capacidade humana de assimilação.

Na prática, olhar as mudanças e inovações dos 10 últimos anos se trata de voltarmos para o século passado, para o ano de 1999. Alguém se lembra do ano de 1999? O que era o mundo dos negócios em 1999?

Um rápido apanhado para criar algumas conexões com o passado:

Em 1999, no Brasil era o ano do início do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, que assumiu em meio à volta da inflação e forte desvalorização do Real frente ao dólar. O movimento de globalização econômica e cultural, que se intensificava com a evolução das tecnologias de comunicação e popularização da Internet era o tema do momento. 1999 foi o ano do início do fim de duas referências no varejo brasileiro, Mappin e Mesbla, e da fusão entre Brahma e Antarctica com a criação da AmBev (bastou 10 anos para conquistarem o mercado global de cervejas!). Por fim, 1999 acabou sob a expectativa das previsões apocalípticas sobre o Bug do Milênio.

De lá para cá, podemos dizer que muita água passou por baixo da ponte e, se puxarmos da memória quem éramos e como vivíamos naquela época e compararmos com o estilo de vida contemporâneo, provavelmente teremos uma sensação de inadequação, um incômodo de não termos à nossa disposição o acesso à um novo mundo virtual e suas facilidades. Há até quem sinta até uma leve nostalgia, de um mundo mais simples e equilibrado (como é típico das nostalgias), mas é (e será) cada vez mais difícil viver sem googles, smartphones e cia.

A Internet certamente foi a inovação que sintetiza e representa a enorme mudança no comportamento humano e na forma como os negócios são realizados, de como as empresas lidam com seus clientes, acionistas, colaboradores, fornecedores e demais stakeholders – que desenvolveram novos padrões de comportamento a partir do uso das tecnologias e da Web – e com a informação – cada vez mais pública, instantânea e acessível por todos.

Se entrarmos nos detalhes no impacto da Internet, estaremos falando de um novo mundo, de novas oportunidades e novas empresas e marcas. E-commerce, e-procurement, e-recruitment, e-planning, e-training são algumas das práticas “e-enabled”, que de semelhança com suas versões offline possuem pouco. Redes sociais, blogs, microblogs, wikis, fóruns, portais, mensageiros instantâneos e todas as demais tecnologias e práticas da nova leva colaborativa da Web aplicadas às atividades corporativas (P&D, Marketing, Relacionamento, Comercial, etc) fazem parte da receita.

O horizonte da inovação da Web e seus impactos nos negócios fogem dos limites de nossa imaginação individual: são fruto da ação e do pensamento coletivo. Porém, para a internet evoluir a atingir o patamar de desenvolvimento que possui hoje, todo o aparato tecnológico que a sustenta teve que ser desenvolvido, implementado, integrado, aprimorado, etc e é nesse ponto que estamos falando, talvez, das principais inovações no mundo dos negócios: novas tecnologias de transmissão de dados como a fibra ótica e transmissão por satélite, mainframes, servidores, desktops, mobile devices, softwares, sistemas operacionais, linguagens de programação, formatos de conteúdo, interfaces de usuário… A lista é longa e o conteúdo técnico e apesar de sua relevância; entendemos que a inovação nos negócios não se restringe apenas à tecnologia.

Novos conceitos e modelos de negócio impactaram fortemente a dinâmica e as formas de realizar os negócios, dentre eles a terceirização, como direcionador estratégico e política corporativa. Nesse tema, não podemos deixar de falar do simbólico modelo de negócio da Nike.

A decisão de concentrar os esforços e investimentos da empresa na construção de uma marca forte e transnacional e no desenvolvimento de produtos únicos e inovadores – e terceirizar tudo o quanto fosse possível, principalmente sua produção (essencialmente para fábricas asiáticas em países subdesenvolvidos ou emergentes, com mão-de-obra extremamente barata e políticas fiscais e tributárias atrativas) abriu precedente para uma nova leva de empresas – e conseqüentemente para seus concorrentes e mercados como um todo – buscarem foco e altas margens de retorno.

As polêmicas em relação à terceirização ultrapassaram as fronteiras do business, atingindo, como no caso da Nike, temas delicados como escravidão (haja visto o modelo de trabalho inicialmente adotado nestas fábricas terceirizadas) e exploração de trabalho infantil, gerando um movimento de oposição que, ironicamente, manchou a credibilidade e reputação das empresas que adotaram tais práticas.

Mais do que uma inovação mercadológica, a terceirização trata de um fenômeno cultural e político em escala global, complexo ao ponto de ser difícil definir o que é origem e o que é causa.

O fato é que as oportunidades derivadas das inovações – sejam elas em modelos de negócios ou tecnologias, incrementais e disruptivas – são os caminhos que permitem a evolução dos negócios e explorá-los (na boa acepção do termo) é inerente à atividade de empresas e corporações e deve ser não apenas incentivado, mas potencializado.

Mantido o equilíbrio entre os interesses de todos os stakeholders da empresa, de clientes até governos, o artigo de 2019 sobre a inovação nos últimos 10 anos deverá trazer, em retrospecto, uma sensação de incômodo, inadequação e nostalgia ainda maior. Aguarde.

 

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