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Há tempos que uma marca deixou de ser apenas um nome. Um apanhado de letras ligadas entre si.  Foi-se, a passos largos, aquela velha concepção de que a única mola propulsora de vendas e lucratividade eram os produtos em si.

A necessidade humana, que nas cadeiras de Economia ensinam ser infinitas e os meios escassos, fez surgir o imperativo de se construir uma nova concepção de vendas.

O Homem-consumidor moderno, que por necessidade da sobrevivência afogou-se em preocupações, trabalhos, correria do dia a dia, acometeu-se pela carência de vida em sua própria vida, e, então, mudou o rumo das coisas.

Os prazeres efêmeros que sentia quando do uso de determinado bem, se antes constituíam fatores suficientes de satisfação e o motivavam a comprar, nos tempos modernos, contudo, não mais constituem elementos de motivação.

E alguns são os grandes carrascos desta lógica passageira, tais como as enormes dificuldades de sobrevivência, o excesso de trabalho, a correria do dia-a-dia, o excesso de preocupações.

O Homem passou a precisar de algo mais do que simples prazeres. O Homem passou a precisar de vida, de se sentir vivo.

Impunha, então, para a sobrevivência do mercado, fornecer-lhes vida. Mas com os poucos meios existentes, esta era uma tarefa quase impossível de se cumprir.

Foi então que supriram a carência dos meios com os sonhos. O sonho de uma vida melhor. O sonho de uma vida livre. O sonho de ser livre. De ser uma princesa, príncipe, rei e rainha.

A indústria, então, mudou o seu foco e passou a vender sonhos. Sonhos que saciavam a sede de vida. Sonhos que preenchiam as vontades mais íntimas e individuais dos seres, que aos poucos se perdiam durante a correria do dia a dia.

A indústria passou a vender estilo de vida, jeito de ser, de sentir, de enxergar, e, assim, passou a oferecer vida e a estimular o consumo. O consumo da vida.

Os produtos… meros objetos estimuladores e viabilizadores do sentido de vida.

E com mãos fortes e com a voracidade de um tubarão, as indústrias logo se apropriaram dos sonhos e neles fizeram estampar as suas marcas, tornando-se, assim, as representantes do sonho e as supridoras das aspirações do Homem.

As marcas interferem na vida do Homem porque enchem-no de vida,  de satisfação, de prazer, e assim, estimulam sua necessidade e fazem eclodir sua voracidade de sobrevivência.  O Homem paga para ter isso porque lhe parece necessário.

Assim, mais do que o próprio produto em si, a marca é fator determinante de venda e de lucratividade.

Mas como em todo jogo da vida, dinâmico por natureza, a lógica vigente, que de há muito fez surtir a exigência de reconhecermos uma marca como ativo econômico da empresa, por outro lado, fez cair por terra e tornar quase prolixo e mentiroso o sistema contábil de uma empresa. Porém, esta é uma outra história.

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