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A Netshoes aumenta preço da camisa da Chapecoense, diz que a culpa é do algoritmo e vê sua imagem ser arranhada pelo episódio

Isto é Dinheiro, Dezembro – 2016

Em uma situação normal no sistema capitalista, o aumento da demanda por um produto gera uma alta no preço. A regra, no entanto, tem as suas exceções. Era o que a varejista online de produtos esportivos Netshoes precisava saber. Na terça-feira 29, enquanto o Brasil se comovia com a morte de 71 pessoas na queda do avião que levava o time de futebol Chapecoense para Colômbia, a fim de disputar a final da Copa Sul-Americana, o preço das camisas da Chape saltou de R$ 159 para R$ 249 no site da varejista online de artigos esportivos.

Rapidamente, a alta do preço se espalhou como um rastilho de pólvora nas redes sociais, com internautas acusando a companhia de ganhar dinheiro explorando a desgraça alheia. Cerca de uma hora após o início das críticas, a companhia informou que o preço de R$ 159 era reflexo do desconto da Black Friday. E, com o fim do estoque do produto, o algoritmo da companhia ajustou o preço automaticamente para o valor cheio, de R$ 249, informando, no entanto, que o produto estava indisponível. “Nenhuma camisa foi vendida com preço cheio”, afirma Flavio Franco, diretor de relações institucionais e jurídico da Netshoes.

Segundo Franco, a companhia recebeu, em setembro, 300 camisas. Da meia noite de segunda-feira até às 8 horas de terça, 108 peças foram vendidas no preço promocional. Para ele, não houve venda influenciada pela tragédia, mas sim pelo desempenho do time catarinense. A Umbro, vendedora do uniforme, também se posicionou, alegando falta do produto em estoque. A repercussão foi tão grande que levou Márcio Kumruian, fundador e CEO da companhia, a gravar um depoimento na web, na quarta-feira 30, para expressar solidariedade às famílias das vítimas. “Nunca houve intenção de tirar proveito de uma situação dessas”, afirmou Kumruian.

A resposta, entretanto, não convenceu todo mundo. Pesquisa realizada pela plataforma de pesquisa PiniOn com 500 pessoas revela o impacto sobre a imagem da Netshoes. Dos 485 pessoas que acompanharam notícias sobre a tragédia, 45% sabiam da polêmica sobre as camisas. Destas, 84% acreditam que a marca tentou lucrar com a tragédia. “A empresa é inexperiente em gestão de crise e pecou por omissão”, afirma Daniel Domeneghetti, CEO da DOM Strategy Partners, especializada em estratégias corporativas. Pior: a companhia também não soube explicar porque virou refém de seu algoritmo.

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Gol contra

Pesquisa revela o impacto da polêmica sobre o preço das camisetas do Chapecoense na imagem da Netshoes

As respostas foram obtidas com base nesses 97% que acompanharam notícias sobre o acidente:

• 45% dos participantes acompanharam a polêmica a respeito do aumento do preço da camisa da Chapecoense logo após a tragédia

• 84% acreditam que a marca tentou lucrar com a tragédia

• Mesmo após o pronunciamento da Netshoes acerca do caso, 48% dos participantes não acreditaram na justificativa e no pedido de desculpas dada pela marca

• 80% dos respondentes, porém, disseram que não deixariam de comprar artigos esportivos da Netshoes por causa dessa polêmica

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