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Alguns conceitos e metodologias largamente aceitos por muitos anos no campo do marketing têm sido revisitadas e até mesmo questionadas quanto a sua aplicabilidade nos tempos atuais, nos tempos de mudanças no formato de comunicação e relacionamento ocasionados, principalmente, por ambientes e dispositivos que trazem consigo a proposta anything-anytime-anywhere. Dentre os mantras do velho marketing que estão sendo derrubados por este novo cenário estão os famosos 4Ps de Kotler.

Mantendo-se o conceito central defendido por Kotler em que define o composto de marketing como “o conjunto de ferramentas que a empresa usa para atingir seus objetivos de marketing no mercado-alvo”, percebemos que sua perenidade parece garantida, uma vez que dificilmente teremos alguma mudança que seja tão drástica a ponto de desestabilizar tal definição. Porém, os “como”, a forma pela qual se atingem os resultados estabelecidos segundo a metodologia de análise e planejamento fundamentada nos 4Ps mudaram e ainda continuarão mudando..

Apesar de inúmeras tentativas de se adaptar o conceito original mediante a agregação de outros Ps, acreditamos que a questão central não é contestar os Ps, mas compreender as novas demandas do marketing em si para esses 4Ps tradicionais.

Reservamos-nos o direito de analisá-los com os olhos e cabeça de quem convive diariamente com a necessidade de identificar, criar e/ou adaptar conceitos e metodologias a necessidades e particularidades de conjunturas temporais, sociais, políticas, tecnológicas, econômicas etc.

Hoje vivemos em uma realidade em que as barreiras que separam o sucesso do fracasso em campanhas, ações comerciais ou de prestação de serviços estão pautadas em relacionamento, elemento que demanda interação contínua, conhecimento dos interlocutores entre si, personalização, qualidade e preço num modelo de quase interdependência e co-desenvolvimento de soluções… tudo isso em ambientes de acesso cada vez mais remotos fisicamente, porém mais acessíveis virtualmente. Mas vamos aos 4Ps versão 2.0:

Olhando o P1 de Kotler: o produto pode ser customizado, personalizado pelo cliente, montado pelo cliente, sua diferenciação para a concorrência muitas vezes pode ser o grau de liberdade permitido por um ou outro, as embalagens… aliás, muitos não precisam mais de embalagens pois são digitais…

Olhando o P2 de Kotler: o preço em alguns casos ainda pode ser determinado pelo vendedor, mas cada vez mais serão definidos pelos mercados comparativos, recheados de sites de buscas, sites de refugos, sites de trocas (c2c) e leilões, em que os potenciais compradores possam estabelecer o preço justo numa formação de mercado com lances ofertados online de todas as partes do mundo, ou que existam diferentes preços para diferentes canais.

Olhando o P3 de Kotler: a promoção é algo que ainda continua sendo a grande vedete desejada pelos consumidores, porque geralmente traz resultados imediatos no bolso. O único problema é acertar com precisão o local/ambiente onde seu potencial cliente está, pois os canais e meios de tráfego não são mais os tradicionais; as mídias de massa já não abarcam tudo o que é necessário para atingir o público-alvo (agora personalizado, daqui a pouco realmente a personalizado 1to1). Ou seja, o mundo físico ganhou um concorrente muito maior e infinitamente expansível: a web.

Olhando o P4 de Kotler: a praça também já não é mais a mesma. Na verdade, agora existem as praças virtuais, colaborativas, multimídia, móveis, convergentes… a relação cordial do vendedor passou para rapidez, controle, comparação de preços e acesso instantâneo.

Hoje, com um clique se faz o download de somente uma parte de um produto (pode-se comprar faixas de músicas separadamente, por exemplo), a entrega é imediata, ou quase, dependendo da sua infraestrutura.

Enfim, alguns dos “velhos” conceitos ainda serão ensinados nas faculdades e utilizados por marqueteiros, planejadores e estrategistas. Agora, entretanto, eles terão que aparecer rejuvenescidos de extreme make-over versão 2.0. Quanto a isso, não há dúvida.

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